quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
À Procura
Tenho agora 20 anos e vivo com a estranha sensação de só estar a viver metade daquilo que poderia viver.
Sou saudável, tenho alguns bons amigos e uma família que me apoia e de quem gosto muito e, por isso, devo dar graças. No entanto, sinto que poderia ter mais, ser mais feliz, sentir-me mais realizado. Falta-me uma ou duas peças para o conjunto e não consigo encontra-las. A verdade é que nunca me cansei muito em procurá-las e vou deixando o tempo passar.
Por vezes, tenho a sensação que o que faço contribui mais para a felicidade dos outros do que para a minha, mesmo quando o proveito é meu.
Estarei a perder algo que já devia ter encontrado há mais tempo ou simplesmente a incitar uma exigência egoísta?
Gostava de ser melhor no que faço, descobrir um forte em alguma coisa que tenha projecção e continuidade. Não é por preguiça que não a procuro, mas sim por não saber qual a direcção. Se por uma vez a vida me desse uma pista...
Há pessoas que dizem que tenho mudanças de humor e que, ainda para mais, são facilmente detectáveis. Não tenho culpa de ser uma pessoa transparente e não vou estar constantemente a sorrir para a vida quando ela não o faz ininterruptamente.
Só quero o que toda a gente quer: mais oportunidades com mais vitórias e menos derrotas, ver alguns dos meus sonhos ganharem forma, tornarem-se mais palpáveis.
Tenho feito os possíveis para, ao longo dos anos, orgulhar e não desiludir as personagens intervenientes no meu percurso e, por essa razão, considero-me merecedor.
Quero um dia acordar com o vento, como mensageiro da vida, a segredar-me palavras decisivas e animadoras, portadoras das resposta que ando à procura. Até lá, esperarei paciente e esperançosamente...
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