quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Enjoy Yourself

É preciso ocasionalmente sentir-se especial! Somos peças únicas adquiridas pelos que nos rodeiam, com o nosso consentimento, e tornamo-nos imprescindíveis.
Por mais que se procure alguém como nós, será impossível conceber uma relação e uma estima totalmente equivalente.

Não devem haver, pois, problemas de confiança. Somos nós, autênticos, donos do mundo e do destino em que queremos mergulhar; o topo do pedestal pertence-nos, cada um com o seu, sem haverem superioridades comparáveis. Em cada qual existe uma exclusiva elegância, um extravagante brilho e uma singular beleza.

Somos assim donos dos caminhos que queremos tomar, os criadores e limitadores da impressão que queremos causar, simplesmente teremos que o objectivar e fazer acontecer!

Não há necessidade de conter ou abster o nosso potencial. Dentro de cada um existe aquela chama, um vulcão adormecido, um sol à espera de poder brilhar. Sejamos ousados e incitemos essa liberdade!

Haja, então, um grito de libertação, um romper de barreiras e uma revolucionária exibição orgulhosa e permanente do nosso verdadeiro EU!

Noite

Noite escura, fria e tranquila.

Sozinho, vou pisando o solo, pintado de cores menos ténues que o habitual, e sem me aperceber vou destuando da tanquilidade do cenário.

Por mais pequenos que sejam os passos, o movimento diferencia o que estava sereno, intacto, imóvel.

O céu não está hoje pintado por estrelas próximas umas das outras, mas as que insistem em marcar presença, as que persistem em manter a sua assiduidade, são as mais especiais, as que fazem dos nossos olhos uma base neutra, salpicada de minúsculos pontos puros e encandeados.

A lua faz-nos companhia na nossa caminhada, como uma alma imperturbável e observadora, decora os nossos passos e segue-nos em céu aberto, por vezes completa, outras vezes recortada.

O vento insiste em perturbar o nosso termóstato com a sua temperatura encarnada no ar fresco que se faz sentir.

Não nos permite distracções, pois faz questão de nos recordar que também está presente e que constitui um elemento dominante da paisagem. Por essa razão, causa-nos arrepios e penetra-se-nos até aos ossos.

Na cidade, o ruídos sintécticos teimam em sobrepor o silêncio. Acto tão vão como inútil, pois a noite é implacável e impele-nos a adoptar uma atitude submissa às suas regras naturais.

Mas toda ela é fogaz e efémera, tal como as nossas vidas, embora não partilhemos da mesma capacidade regeneadora, que faz a primeira voltar imponente, sublime e poderosa ao fim de um dia.

Chega a manhã, clara e alva, enfraquece as defesas da noite e conquista-a. A noite retrocede e esconde-se na outra metade do planeta. Com passos lentos e duradouros, contorna o globo. Silenciosamente, planeja a sua estratégia e ao fim de longas horas volta ao modo ofensivo e, com a sua magia, desfaz o ponto final que a luz da manhã assinalou, subistituindo-o por um vazio a preencher quando o ciclo recomeçar.


6 Fevereiro 2010

Desvalorização

Porquê ser-se sincero, simpático, boa companhia?

Antes valorizavam-se tais valores, agora tudo é diferente.
Gosta-se de certas pessoas, partilham-se momentos com elas, correspondem-se abraços e brincadeiras, somos participantes activos de conversas banais e ocasiões divertidas.

Transpõem-se as conversas banais e fala-se destes comportamentos quotidianos:
O que se recebe em troca?

Temos que nos dar por satisfeitos com injustas críticas e acusações. Somos apontados como um alguém desajustado ao critério geral. Apontados como infantis e impróprios.

Será pura ingenuidade? Deixar-se levar pelo coração e pela razão, e não pela indiferença e má influência. Saber ouvir duas opiniões sobre qual o seguinte passo a tomar, usar a "leviana" razão e conseguir escolher a mais acertada, embora mais difícil, a menos depravadora, é ser inocente, imaturo e frívolo?

Pois, na opinião dessas pessoas, ser-se cabal é agir com desprezo, porque essa é a maneira de fazê-las chegar até nós. Que perspectiva tão rude, crua e ríspida.

Se é a maçaneta dessa porta que tenho que rodar para conseguir adaptar-me, então a minha atitude será permanecer imóvel. Prefiro ver essa porta fechada, afastar aqueles que não apreciam a minha maneira de fazer e de ser.


Hoje sou eu o ser estranho, que essas pessoas têm por perto, até um dia.
Nesse dia, eu já estarei longe, e será nessa altura que valorizarão a minha presença, os meus valores e virtudes. Talvez seja tarde, poderei ter um acesso de maldade como retribuição às críticas e a minha resposta à reconciliação e arrependimento (dos outros) estará espelhada numa só palavra: NÃO!

E assim, construirei uma lacuna na vida de alguém!


22 Janeiro 2010

Como vive o Homem na Sociedade

Viver passa por uma infinidade de factores sociais, pessoais e inter-pessoais. Não vivemos só para nós mesmos, vivemos em sociedade, com familiares, amigos e estranhos. Podemos, pois, fazer uso do nosso tempo "social" dando-lhe corda e fazendo-o rodar e render de forma agradável, divertindo os outros, tendo uma boa conversa, sendo condescendente e dando provas de confiança.

No entanto, ninguém vive sem SOBREviver. Este prefixo, nesta palavra, tem tanto de ganância como de maldade.

Aparentemente humanos, civilizadamente perfeitos, mas com objectivos. Há quem não saiba alcançá-los da melhor maneira. Por isso, quando se tira a máscara à humanidade primorosa, (quase) tudo o que a vista pode alcançar são corpos com instintos animalescos de conquista e poder. Querem passar uns por cima dos outros, de forma ilícita e incomplacente.

Inexoravelmente frios, demonstram impulsos impróprios em panoramas simples do dia-a-dia.
Dois amigos, frente a um estranho, em que um está sistematicamente a mandar calar o outro e lhe atribui nomes sentenciadores, com intuito de fazer-se afirmar perante o desconhecido aviltando o segundo.
O primeiro passa por imperioso, dominante e (até) cómico, enquanto que o segundo ou fica obliterado, ou passa a ser o objecto de repulsa e escárnio.

Este é um exemplo diminuto, que pode ser testemunhado por um razoável observador, se este olhar em seu redor.
Variantes deste assunto em grande escala, temos os temas já tão batidos e enraizados na nossa sociedade como a discriminação, entre outros.

Acredito que um dia o universo criará pedestais dos quais os obliterados e escarnecidos poderão ludibriar aqueles que se acham o ponto de focagem de todos os holofotes ofuscarão a falsa visão primorosa dos altivos e escarnecedores.

8 Janeiro 2010

A Escrever, Novamente

Parecendo que não, já caminho para o desleixo de quase um ano que não faço login aqui no blog. Talvez por ter muito que fazer ou simplesmente por esquecimento. De qualquer maneira, o desinteresse é notável e, como contra factos não há argumentos, nem vou tentar arranjar mais justificações.


Há muito que não escrevo. Subitamente perdi esse vício, nem sei bem porquê. Quando escrevia, normalmente, era para despejar aquele nó na garganta que, com certeza, toda a gente já sentiu. Parece-me que esqueci essa necessidade por não ter tantos problemas emocionais e algumas tristezas, o que até acaba por ser positivo.

No entanto, encaro, por outro lado, a longa data de muita fala e pouca escrita como algo negativo. Espero bem que o jeito para escrever não tenha ultrapassado o "prazo de validade".

Quero conjugar estes tempos minimamente felizes e satisfatórios com os tempos de escrita reconfortante. Por isso, falarei do porquê do acto de escrita, como surge e quando.

Do meu ponto de vista, o meu génio de escritor não é fenomenal, embora já tenha recebido numerosos elogios de colegas, amigos e professores. Consigo transmitir todos os meus sentimentos para o papel, o que considero importante, na medida em que o leitor consegue compreender claramente o que vai dentro da minha cabeça.

É, talvez, uma escrita maioritariamente emocional e uma veia sentimentalista remota, uma vez que não tenho conhecimento de alguém que ocupe um grau de parentesco anterior ao meu que tenha a mesma fluência na produção de texto. (Não contando com o meu tio porque, ele sim, é brilhante)

Esta exposição de pensamentos surge ocasionalmente e provém de duas situações: a primeira é a má disposição, a tristeza, o desgosto, a desilusão, no fundo a carência de um desabafo; a segunda situação é através daquilo que uma determinada música desperta em mim e, posteriormente, o seu manifesto. É por esta última que acredito que a escrita e a música são duas artes que andam de mãos dadas.

Vejo escrita como o espelho da alma e como algo que me oferece gozo pessoal. É um acto que, progressivamente, favorece a construção individual através da reflexão, tornando-nos até, pessoas mais racionais e flexíveis nos momentos fulcrais da nossa vida em que tomamos decisões.


Deste modo, findo o terceiro testamento do meu pequeno blog. Espero voltar a escrever brevemente. Cumprimentos!


7 Junho 2009

Desperate

Há dias em que a nossa vida se transforma num desespero constante. São alturas em que nos faltam os "mas" que noutras circunstâncias nos servem de remendo. Mas não, porque nestes momentos os factos opõem-se vigorosamente a todos os argumentos. Uma batalha árdua, mas com um resultado inevitável: contra factos não há argumentos.
Por isso era tão importante, em nome da satisfação e do bem-estar, que as coisas pudessem ser diferentes.

Quero fechar os olhos, quero poder ser indiferente à dolorosa realidade, mas é impossível, porque essa realidade também me abrange, independentemente das minhas preferências.
Mais uma vez a solidão me invade, deixando-me vulnerável, entregue ao destino. Situações constrangedoras, sem dúvida. Sinto-me inútil, já não tenho forças. Chamem-me fraco, mas agora que estou aqui sem forças para continuar a lutar, porque não admito que me humilhem antes de ter atingido o meu limite, porque anteriormente a esse nível eu mantive-me de pé e dei o meu melhor. Apesar do meu orgulho ainda estar próximo e com ele todas as coisas de que não me arrependo de ter feito, não me é permitido esboçar um sorriso, porque o sabor da derrota ainda está bem patente nas minhas feridas e no meu estado de espírito, esse dissabor invade-me profundamente.


Se o autor dos factos que desencadearam a minha destruição interior ainda duvida dos resultados, pode agora festejar o sucesso, pois as consequências já se fizeram sentir cá dentro de forma incisiva.


Permanecerei aqui, casto na escuridão, em silêncio, mas cá no fundo há um voz que deseja gritar e não consegue pois perdeu o fôlego. Falta-me a firmeza, a defesa impenetrável.


A determinação acabou, a dor intensa prevalece.


27 Junho 2007

Deep Breath

Caros leitores,


Decidi criar este blog para substituir o meu anterior 'Notas-do-Pensamento', uma vez que já não controlo o email em que esse está registado.

Assim sendo, vou publicar aqui os textos que gosto mais e darei continuidade ao que foi feito no blog anterior.

O nome Deep Breath
foi inspirado na reflexão dos meus textos. Todos os que escrevo fazem-me sentir bem por dentro... Gosto de transparecer o que sinto para o papel. Sempre fui da opinião de que este ser pálido e inanimado é o melhor de todos os ouvintes.

Escrever ajuda a cessar qualquer pesar, alivia-nos a alma...