sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Corpos em Brasa

É com crescente prazer que vou delineando o teu corpo, perdendo-me por todas as curvas e rectas tão perfeitas que só uma natureza transcendente saberia explicar com exactidão.

Gosto de sentir toda uma tensão quando o faço sem te tocar, é simplesmente aliciante ler os sinais que deixam perceber uma mistura de raiva impaciente e desejo de aproximação gritante que acompanha a trajectória do movimento.

       Perdem-se os medos, esquecemo-nos de quem somos, ou pelo menos dos aspectos mais redondantes e superficiais, e toda a nossa essência revela-se...
       Como se até então estivéssemos acorrentados, quais imóveis conformistas que, no segundo em que sentem o tilintar do metal figurativo a encontrar o chão, começam um galope desenfreado que apenas usa como combustível a ambição pulsante de experienciar aquela outra dimensão que está incompreensivelmente longe do nosso alcance em circunstâncias banais. Esta é a única porta que nos transporta para esse outro mundo, onde a atmosfera, como a conhecemos, é devorada para dar lugar a um outro clima, fervoroso e mundano, captado por cada um dos inúmeros poros da nossa pele em fogo.

       A iluminação deixou de ser artificial, só o brilho dos nossos olhos pode descrever o quão celestial pode ser o arder daquela chama que parece não precisar de oxigénio para se manter viva, teimando em ser imortal.
       O galope metamorfoseia o bater dos cascos em sussurros, acompanhados do som intermitente do jogo viciado dos lábios que teimam em adivinhar as jogadas do seu cúmplice.

       Este mundo libertino e virtuoso faz-nos perder toda a noção do tempo e do espaço. A verdade é que as leis que condicionam esta dimensão esplêndida são as da natureza, e como tal ditam um início e um fim.
       Não obstante, um fim pode ser um simples impulso.
       E os ímpetos, por vezes, são tiros no escuro, percebidos quando o nosso próprio revolver já está a fumegar...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Para: Tio João Abel

João Abel Torres Fernandes, um brilhante professor, um escritor que faz o melhor uso das palavras e eleva a relação entre elas ao expoente da magnificência.

       Foi nele que vi a minha inspiração, que mais tarde se transfigurou em iniciativa e gosto pela mesma arte.

       Há quem diga, por simples suposição, que eu possuo uma veia artística que se expressa no escorrer de tinta sobre o papel, delineando caracteres que, no seu conjunto, são agradáveis pra quem os lê. Pois eu tenho a certeza da origem desse gene instintivo e prazeroso, vem deste meu tio por quem tenho muita estima.

       Pra mim, foi como um Segundo Pai: ensinou-me as marcas dos carros; a ter um bom ouvido para a música, sim, porque ainda hoje ,quando oiço músicas dos anos 90, sinto uma grande nostalgia dos tempos em que ainda o chamava tito "Beidi" e ia passear no banco de trás do seu ALFA ROMEO 33 verde escuro ao som de Def Leppard, Bryan Adams, entre outros... Cultivou em mim a adoração por BMW's, que desde então se tornou o meu carro predilecto.
       Mostrou-me o esplendor da sétima arte (cinema) através da forma esmerada como tentava (e ainda tenta) representar, da forma mais fiel possível, uma sala de cinema em casa - ocultando a luminosidade natural, sistema surround, assentos confortáveis e um grande ecran.
       Foi igualmente Ele que me deleitou com o fascínio pelos videojogos, que aos sete anos começaram a fazer parte dos meus hobbies com a minha primeira consola a sério, a Playstation One, igual à que estava na casa dos meus tios.
       Tenho saudades de ouvir atentamente as suas histórias inventadas na hora e nas quais eu acreditava como se fossem verdades incontestáveis, na minha pura ingenuidade de criança.

       Aprecio deveras os seus conselhos, porque sei que é uma pessoa vivida e que quer o meu bem.
       Sem querer magoar os outros, tenho MUITO orgulho em poder afirmar que Ele é o meu tio preferido.

       Sinto-me honrado por todas as arestas de personalidade que limei à luz da sua influência; por ter sido como que o seu "primeiro filho", a quem mostrou a vida de uma perspectiva mais divertida e descontraída.

       Muito Obrigado por tudo (tito) Abel!
      
       Muitos Parabéns!
       Desejo que os anos que vão passando nunca definhem os teus traços de personalidade, a tua maneira de ser.
       És, de todo o puzzle que figura a nossa família, uma peça de primor valor. 
       Espero poder sempre contar contigo!

Um Grande Abraço,
do teu sobrinho

Pedro Teixeira


P.S.- continuo à espera da publicação do teu livro!