segunda-feira, 2 de julho de 2012

Goodbye

      Porquê esta amargura em sentir a perda tardia? Queria ter sentido isto na hora certa, em cima do acontecimento, não agora.
      Há um qualquer desacoplamento entre acontecimentos e sentimentos, mas porquê?
      Tudo porque foram embora algumas pessoas que considerava relativamente importantes na minha vida. A despedida teve um aviso prévio, mas não houve tempo de reflexão sobre o adeus. Presenciei lágrimas, olhares tristes e gestos nervosos. Senti os abraços apertarem-se, sendo parte dessa força conjunta que, aparentemente, foi sentida mas na realidade foi involuntariamente fingida do meu lado. Porque, em todo esse encadeamento de expressões, eu não senti o que deveria ter sentido.
      Agora (horas depois) estão cá dentro a fervilhar todos os fragmentos que compõem a importância desses laços. Sinto a falta das suas presenças, dos seus sorrisos, do calor de cada uma dessas amizades, as suas vozes ruidosamente alegres. Tudo se fez sentir agora, como o disparo implacável de um revólver que, desde o instante do estalido do gatilho até ao próprio impacto da bala, nos vai tornando gradualmente frágeis, acabando por nos ferir violentamente.
     Resta-me acreditar que a vida nos vai dar a possibilidade da reunião improvável.
     Até lá, a ferida acabará lentamente por sarar e a cicatriz será a tatuagem de uma recordação...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

2012

    

      E assim começa um novo ano, uma nova aventura, uma nova oportunidade, uma tela branca à espera de ser preenchida. A paleta de cores e as possíveis combinações são infindáveis.
      Já que temos o pincel na mão, porque não fazer deste ano uma verdadeira obra de arte? Melhor em quantidade e qualidade, com mais cores vivas que retratem a alegria, o bem estar, a magia dos momentos; com menos contrastes, deixando só aqueles que passem da cor da esperança à cor da paixão; com mais relevos, que representem a verdadeira textura das memórias, para um dia mais tarde recordar com nostalgia, de olhos fechados, através da sensibilidade do tacto.
      Desejo que tenhamos todos múltiplos momentos de inspiração, despertados, não só pelas maravilhosas circunstâncias que poderão estar ao virar da esquina, mas também pelo alvoroço do novo comboio apinhado de pessoas que vêm na nossa direcção e que nos vão surpreender à sua chegada, durante a sua estada ou no momento da partida, pelas melhores ou piores razões. Todos esses factores vão dar origem àquela característica inquietação que traz consigo a vontade de se exprimir...
      Sem medos, peguemos já nos pincéis e deixamos a tinta correr, ao ritmo da vida, sobre a superfície pálida.
      Vejamos com optimismo este novo ano, como uma promissora obra majestosa guarnecida de prosperidade.
     
      Bom Ano para todos!